cancer de vias biliares

Câncer de Vias Biliares: Quando a Cirurgia é Indicada e Quais São os Tratamentos

Câncer de Vias Biliares: Quando a Cirurgia é Indicada e Quais São os Tratamentos

O câncer de vias biliares, também chamado de colangiocarcinoma, é um dos tumores mais raros da oncologia. Segundo pesquisadores, ele representa cerca de 3% de todos os cânceres do trato gastrointestinal. Por ser uma doença pouco frequente e, muitas vezes, silenciosa, conhecer seus sinais e as opções de tratamento é fundamental para aumentar as chances de sucesso terapêutico.

Quando o diagnóstico é confirmado, é natural que surjam dúvidas sobre quais são os tratamentos mais eficazes e seguros. Existem diferentes abordagens para o câncer de vias biliares, como cirurgia, quimioterapia, radioterapia e procedimentos de drenagem biliar, e a escolha deve ser sempre individualizada, de acordo com as características do tumor e do paciente.

Neste artigo, explico o que é o câncer de vias biliares, quais são os seus tipos, os principais sintomas e, principalmente, em quais situações a cirurgia é o melhor caminho.

O Que é o Câncer de Vias Biliares e Por Que o Diagnóstico Precoce Importa

As vias biliares são os canais que transportam a bile, líquido produzido pelo fígado que auxilia na digestão das gorduras, até o intestino. O câncer de vias biliares surge quando células que revestem esses canais passam a se multiplicar de forma descontrolada.

Apesar de raro, esse tipo de câncer tem alto índice de letalidade. Isso acontece principalmente porque, na maior parte dos casos, o diagnóstico é feito tardiamente, quando o tumor já está em estágio avançado e as opções de tratamento com intenção curativa são mais limitadas. Por isso, investigar sinais de alerta o quanto antes faz toda a diferença.

Tipos de Câncer de Vias Biliares: Intra-hepático e Extra-hepático

De acordo com a localização, o câncer de vias biliares é classificado em dois grandes grupos:

  • Colangiocarcinoma intra-hepático: origina-se nos ductos biliares localizados dentro do fígado.
  • Colangiocarcinoma extra-hepático peri-hilar: surge na região em que os ductos biliares saem do fígado. É também conhecido como tumor de Klatskin.
  • Colangiocarcinoma extra-hepático distal: desenvolve-se na porção distal do ducto biliar, abaixo da junção dos ductos hepáticos até próxima à papila duodenal.

Em algumas classificações, o câncer da vesícula biliar também é incluído no grupo dos tumores das vias biliares. Identificar a localização exata do tumor é essencial, pois ela determina qual será o tipo de cirurgia e o planejamento do tratamento.

Sintomas do Câncer de Vias Biliares

O diagnóstico costuma demorar porque esses tumores não apresentam sintomas específicos no início. Com o crescimento do tumor, pode ocorrer obstrução da drenagem da bile, o que provoca os sinais mais característicos:

  • Icterícia: pele e olhos amarelados
  • Fezes claras (acolia)
  • Urina escurecida (colúria)
  • Coceira pelo corpo (prurido)
  • Perda de peso sem causa aparente
  • Cansaço, perda de apetite e desconforto abdominal

Esses sintomas também podem estar relacionados a outras condições, como cálculos nas vias biliares. Por isso, ao notar qualquer um deles, é importante procurar avaliação médica para uma investigação adequada.

Como é Feito o Diagnóstico

Diante dos sinais de alerta, o médico solicita exames de imagem, como ultrassonografia abdominal, tomografia computadorizada e colangiorressonância, que permitem visualizar as vias biliares com detalhes. Exames de sangue, como a avaliação da função do fígado e marcadores tumorais, também auxiliam na investigação. Quando necessário, é realizada uma biópsia, por via endoscópica ou percutânea, para confirmar o diagnóstico.

Além de confirmar a doença, esses exames definem o estadiamento, ou seja, o quanto o tumor avançou. Essa informação é decisiva para a escolha do tratamento.

Quando a Cirurgia é Indicada para o Câncer de Vias Biliares

Após o diagnóstico, o tratamento é definido considerando o estágio da doença e as condições de saúde do paciente. Quando o tumor é identificado em estágio inicial e está localizado, sem disseminação para outros órgãos, a cirurgia é a melhor conduta e representa a principal chance de cura.

Tipos de Cirurgia para o Câncer de Vias Biliares

O tipo de operação depende da localização do tumor:

  • Tumores intra-hepáticos: retirada da parte do fígado acometida (hepatectomia).
  • Tumores peri-hilares: ressecção da via biliar, geralmente associada à hepatectomia, com reconstrução da drenagem da bile para o intestino.
  • Tumores distais: duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple), que remove a porção final da via biliar, parte do pâncreas e o duodeno.

Por serem procedimentos de alta complexidade, essas cirurgias devem ser realizadas por um cirurgião do aparelho digestivo experiente, com atuação em cirurgia do fígado, vias biliares e pâncreas, em hospitais com estrutura adequada para o cuidado pós-operatório.

Tratamentos Complementares à Cirurgia

Além da cirurgia, podem ser indicados tratamentos complementares, como a quimioterapia e a radioterapia, que ajudam a reduzir o risco de retorno da doença. A definição dessa estratégia é feita em conjunto com a equipe multidisciplinar, formada por cirurgião, oncologista clínico e radioterapeuta.

Tratamento do Câncer de Vias Biliares em Estágio Avançado

Em estágios mais avançados, o médico pode indicar a drenagem das vias biliares antes de qualquer outra abordagem. O procedimento, feito por via endoscópica ou percutânea, geralmente com a colocação de uma prótese (stent), desobstrui a passagem da bile, alivia a icterícia e a coceira e melhora a qualidade de vida do paciente.

Nesse cenário, também pode haver indicação de quimioterapia, imunoterapia ou radioterapia, com o objetivo de controlar a doença e seus sintomas.

Conclusão

O câncer de vias biliares é raro, mas exige atenção, já que costuma ser diagnosticado tardiamente. Quando identificado em estágio inicial, a cirurgia é o tratamento de escolha e oferece a maior chance de cura, podendo ser associada à quimioterapia e à radioterapia como tratamentos complementares de acordo com cada caso. Nos casos avançados, a drenagem biliar e os tratamentos sistêmicos ajudam a controlar a doença e a preservar a qualidade de vida.

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8 fatores de risco para o câncer de vias biliares

8 fatores de risco para o câncer de vias biliares

Fatores de risco são as causas que potencializam as chances de se contrair uma doença, tal qual um câncer, por exemplo. Existem os fatores que podemos observar e corrigir a tempo, como, por exemplo, o hábito de fumar. Outros, por sua vez, como a predisposição genética, fogem do nosso controle.  Neste artigo vamos falar um pouco sobre os riscos para o câncer de vias biliares.

No entanto, nem sempre ter um ou mais fatores de risco pode significar necessariamente que o câncer vá se desenvolver no corpo da pessoa. De maneira inversa, há pacientes que nunca tiveram um fator de risco e desenvolveram casos gravíssimos da doença.

No caso do câncer de vias biliares, os fatores de risco são enumerados a seguir.

  1. Doenças do fígado ou vesícula biliar

Quando um paciente desenvolve um quadro de inflamação crônica no fígado ou na via biliar, há sempre o risco de que esse quadro evolua com um foco de câncer. Para que tanto o fígado como a via biliar cheguem a essa situação, algumas doenças podem provocar a inflamação. As mais comuns são: presença de cálculos biliares, cisto de colédoco, cirrose, hepatites B ou C e colangite esclerosante primária.

  1. Doença inflamatória intestinal

Trata-se de uma doença inflamatória do intestino, que inclui a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. Pessoas que sofrem  com essas condições, podem apresentar colangite esclerosante associada que, por sua vez, é um fator de risco para o câncer de vias biliares. 

  1. Idade avançada

Idosos possuem mais chances que os jovens de desenvolver esse tipo de câncer.

  1. Geografia e etnia

Devido a uma grande onda de infecções provocadas por parasitas hepáticas, o câncer em questão se torna mais recorrente na China e na região do Sudeste Asiático.

  1. Obesidade

Estar acima do peso também é um fator de risco importante a ser observado. Isso porque  o ganho de peso pode aumentar o número de cálculos biliares tanto na vesícula como na via biliar, além de descontrolar os hormônios.

  1. Exposição a Thorotrast

Trata-se do dióxido de tório, uma substância radioativa usada em exames de raios x até a década de 1950. Essa substância deixou de ser utilizada em equipamentos médicos justamente por aumentar as chances de desenvolvimento de tumores, principalmente o de vias biliares.

  1. Histórico familiar

Se já existe casos de câncer na família, é importante manter um cuidado redobrado com a saúde. O histórico de câncer de vias biliares pode aumentar bastante o risco dessa doença.

    8.  Alcoolismo 

Altas doses etílicas no sangue também estão relacionadas a uma propensão maior de desenvolvimento desse câncer, em razão de agredir constantemente o fígado.

Por isso tudo, não deixe de visitar o médico regularmente e fazer todos os exames preventivos. Não comprometa a sua saúde e comece a mudar os hábitos o quanto antes. Previna-se contra o câncer de vias biliares e outras doenças.

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Câncer de vias biliares: sintomas, causas e tratamento

Câncer de vias biliares: sintomas, causas e tratamento

O câncer de vias biliares pode surgir dentro ou fora do fígado, na vesícula biliar ou na ampola hepatopancreática (ampola de Vater), formada pelos ductos do pâncreas e do colédoco. A incidência de tumores malignos em vias biliares é maior a partir dos 60 anos de idade, mas esse tipo de câncer é raro.

Vias biliares são canais por meio dos quais a bile escoa do fígado para a vesícula e da vesícula para o duodeno. A formação de cálculos biliares (pedras), o desenvolvimento de tumores e o estreitamento desses canais em decorrência de infecção, inflamação ou cicatrizes de cirurgias causam a obstrução das vias biliares.

Sintomas de câncer de vias biliares

O câncer de vias biliares tem, basicamente, quatro estágios. Nos dois primeiros, o tumor está localizado somente nas vias biliares. Na terceira fase, o câncer já afetou órgãos próximos, como fígado, pâncreas, vesícula biliar e duodeno. O quarto estádio corresponde à metástase, ou seja, as células de câncer já migraram para outras partes do corpo.  

Os principais sintomas são:

  • Dor no abdômen: A dor abdominal costuma surgir quando os tumores de vias biliares já estão crescidos. Em geral, a dor é sentida na área inferior às costelas. Também pode ocorrer a distensão abdominal.
  • Coceira: Esse sintoma resulta da elevação de bilirrubina na circulação sanguínea. Portanto, quando surge uma coceira atípica no corpo e sem motivo aparente, é importante procurar orientação médica.
  • Fezes claras e urina escura: A redução da quantidade de bilirrubina no trato intestinal resulta em fezes mais claras. Mas a urina, em contrapartida, fica mais escura, já que há mais bilirrubina na circulação sanguínea.
  • Icterícia: O excesso de bilirrubina no sangue causa o amarelamento dos olhos e da pele. A icterícia não é um sintoma exclusivo de tumores malignos em vias biliares, porém, apenas os exames médicos poderão determinar com exatidão as causas desse problema.
  • Menos apetite: O quadro geral de mal-estar afeta o apetite também. Em consequência disso, há uma acentuada perda de peso.
  • Náuseas e vômitos: Os sintomas ocorrem devido a infecções geradas pela obstrução de vias biliares, o que ainda gera danos ao fígado, pâncreas e vesícula. A febre é comum durante esses quadros infecciosos.

Diagnóstico e tratamento do câncer de vias biliares

Em geral, o diagnóstico é feito quando a doença já está avançada, já que, no estágio inicial, dificilmente surgem sintomas. A ressonância magnética e a tomografia computadorizada possibilitam a realização de um diagnóstico mais detalhado das vias biliares. Algumas vezes a biópsia é necessária para concluir o resultado do exame.

A cirurgia é a solução ideal para a remoção de tumores malignos localizados. No entanto, a tomada de decisão leva em conta outros fatores, como a idade e as condições gerais do paciente. Quando o quadro clínico é incompatível com a realização de uma cirurgia, pode-se optar por quimioterapia, radioterapia e outros tratamentos paliativos. Somente após a bateria de exames é que o médico terá informações suficientes para definir o plano de tratamento do câncer de vias biliares.

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